sexta-feira, 28 de maio de 2010

Loucura, loucura, loucura!

















Me sinto constrangido o suficiente quando me chamam de louco. Não pelas doses de lítio que preciso tomar, muito menos pelas horas infinitas de terapia, mas porque meus dias de loucura foram os mais incríveis de minha vida. Se engane quem pensa que não passa de uma experiência lisérgica ou alcoólica. Não, foi um encontro sem hora marcada com a verdade: sentei, acendi o cigarro e não esperei a conta chegar.
Loucura teria sido se algum enfermeiro me visse rezando. Ou era internação por esquizofrenia ou eu seria matéria em alguma residência na ala de psiquiatria. Claro, não ouvi Deus e não tenho como ouvi-lo, mas posso senti-lo, assim como posso sentir o vento sem que eu precise enxergar. Louco, sim, é aquele que se diz ouvir Deus. Louco é aquele se embeleza de egoísmo. Louco é aquele que vende amor.
Por uma imbecilidade conservadora dos padrões de vida de uma sociedade que acredita mais em novela do que na vida real, é natural que qualquer gritaria seja vista como loucura. Bom, se perder na frente da TV ou argumentar que Glauber Rocha é mais importante do que seu próprio Cinema Novo, é tão loucura do que sair gritando pela rua sem motivo algum. A sociedade que julga a loucura como frescura, não foi capaz de me dar um abraço tão sincero como recebi em meus dias lunáticos. Porém, se eu fosse tema de novela, não sairia de programas vespertinos em companhia de pagodeiros donos da opinião pública. Depois o louco sou eu. Loucos são os que aplaudem de pé a loucura de Arnaldo Baptista e se esquecem de sentar, calar a boca e escutar. Porque pra mim, loucura é deixar de prestar a atenção em sua música.
Por que fui chamado de louco? Por que não tive dó do vira-lata que estava mais preocupado com sua comida no lixo do que minha presença? Por que não chamei de trombadinha e vagabunda aquela criança no semáforo? Louco por que não aceitei ser pintado de corpo inteiro em um trote de faculdade? Louco por não xingar a Geyse Arruda de puta e não me esfregar no banheiro enquanto penso nas garotas do Big Brother? John Lennon e Yoko Ono em uma cama foi um ato nobre e eu querer ficar na cama por que não quero trabalhar em algum call center é vadiagem? Nietsche começa a fazer sentido. Alguém pode me passar uma gripe?
É, Loucura se mede conforme os costumes de uma sociedade. Pronto! Era o que me faltava. A cada canto que me aventuro a minha loucura se transforma ou precisa se esconder. E se esconder é o nosso papel mais magistral.


Marcelo Mayer já se aventou por aqui, porém Fluoxetina não foi suficiente para ele e hoje busca doses cavalares de outras drogas em busca da patologia perfeita. Em breve terá seu nome nas mais empoeiradas gavetas e na pior das hipóteses, prateleiras. Seu livro, Arma Quente, está no forno. Conheça mais de seu trabalho em http://cransauce.blogspot.com

4 Cafezinhos:

Nathi Delacroix disse...

O Marcelo manda bagarai!

Sucesso, rapaz!

Natacia Araújo disse...

Bem vindo de volta figuraça!

Ludmila Melgaço disse...

Já ouvi, ou melhor, li isso tudo dele, e devo dizer que Mayer me fascina demais.

Paulo disse...

cara se depender de mim esse seu livro não ficará empoeirado na gaveta e nem tão pouco nas prateleiras...Genial,cara,parabéns!!!