sábado, 12 de junho de 2010

Ai amor - III




Um homem chama a sua mulher para sair. Ele diz ser um jantar romântico, e que iria ser perfeito.



― Vamos amor, já estamos atrasados!
― Espere, só preciso achar minha bolsa!
― Pra quê bolsa? Eu vou pagar.
― Está me chamando de quê?
― Te chamando...? Ah, Letícia vamos logo!
― Não, não... Entendi bem? Você disse que eu não sirvo pra nada?
― Eu não disse isso, amor. Só disse que eu vou pagar.
― Fique sabendo que eu não preciso que você pague minhas coisas, eu sei muito bem cuidar de mim mesma, e trabalho pra pagar as coisas que consumo!
― Eu sei amor, eu sei...
― Não me venha com “amor”! Você acha que eu não poderia planejar um jantar também? Acha que eu não poderia pagar?
― Amor, não tem nada a ver... Estamos perdendo tempo...
― Ah, então falar com a sua mulher agora é perca de tempo?
― Letícia quer entrar no carro?
― Tem razão, falar comigo é mesmo uma perca de tempo. Alugue uma mulher melhor, Fabiano. – Dizia Letícia, enquanto tirava um dos brincos.
― Letícia, me perdoe então, está bem? Perdoe-me por ser tão machista com você – Fabiano tentava amenizar a situação com palavras suaves, enquanto devolvia o brinco a sua mulher.
― Está bem. – Ela o acompanhava com aquela cara de fome tipicamente feminina.

Ele então sorri, entra e liga o carro. Ainda sorrindo, ele percebe que sua mulher está de braços cruzados... Meio sem entender, coloca a cabeça para fora da janela:

― Letícia?
― Não ta esquecendo alguma coisa?
― Ah, como eu poderia esquecer... – Ele corre, abre a porta de casa, e permanece lá por uns segundos. Retorna com um sorriso enorme, e um bombom.
― Aqui amor, como no dia do nosso primeiro beijo.
― 17 anos, e você não mudou nada, Fabiano?
― Letícia, entre logo ai, porque já estamos aqui há horas! – Ele entra novamente no carro. Ela nem se quer move um fio de cabelo.
― Antes os homens abriam a porta do carro para suas mulheres.
― Antes nem carro existia. Ele dava escadinha pra ela subir na carroça no máximo.
― Grosso...

Então ele abre a porta do carro pra ela. Mas por dentro do carro. Ela se recusa a entrar:

― Isso é mesmo perca de tempo, Fabiano. Vou me deitar, vai lá comer seu camarão.

Ele corre até ela, se ajoelha segura sua mão, dá vários beijos e diz:

― Vamos assistir Ghost no quarto da empregada? – Com um sorriso malicioso em sua cara de 30 anos.
― Ai, amor...


Feliz dia dos namorados à todos.
Dedicado à Bruna Gameiro, minha namorada.

2 Cafezinhos:

Yara Lopes disse...

Ahhh, que liiindo Almi!

Claudio Chamun disse...

Muito bom;
Gostei do estilo.